O amor é a força propulsora do universo
Nossa Missão
Contribuir para o despertar da autoconsciência e da autodeterminação do ser humano

Textos Junguianos

A psicologia de Jung e a reencarnação
Texto extraído do livro Reencarnação, processo Educativo. Adenáuer Novaes
Publicada no dia 19/01/2013 às 14h42

Não se pode afirmar com certeza que Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra suíço, pai da Psicologia Analítica, era reencarnacionista. Seus escritos oficiais não apontam nessa direção, muito embora ele tenha deixado pistas de que não era contra. Em seu fenomenal livro Memórias, Sonhos, Reflexões, ele escreveu textualmente:

“O problema do carma, assim como o da reencarnação ou da metempsicose, ficaram obscuros para mim. Assinalo com respeito a profissão de fé indiana em favor da reencarnação e, olhando em torno, no campo de minha experiência, pergunto a mim mesmo se em algum lugar e como, terá ocorrido algum fato que possa legitimamente evocar a reencarnação. É evidente que deixo de lado os testemunhos relativamente numerosos que acreditam na reencarnação. Uma crença prova apenas a existência do “fenômeno da crença”, mas de nenhuma forma a realidade de seu conteúdo. É preciso que este se revele empiricamente, em si próprio, para que eu o aceite. Até estes últimos anos, embora tivesse tido toda a atenção, não cheguei a descobrir absolutamente nada de convincente neste campo.[1]Mas recentemente observei em mim mesmo uma série de sonhos que, com toda a probabilidade, descrevem o processo da reencarnação de um morto de minhas relações. Era mesmo possível seguir, como uma probabilidade não totalmente negligenciável, certos aspectos dessa reencarnação até a realidade empírica. Mas como nunca mais tive ocasião de encontrar ou tomar conhecimento de algo semelhante, fiquei sem a menor possibilidade de estabelecer uma comparação. Minha observação é, pois, subjetiva e isolada. Quero somente mencionar sua existência, mas não o seu conteúdo. Devo confessar, no entanto, que a partir dessa experiência observo com maior boa vontade o problema da reencarnação, sem no entanto defender com segurança uma opinião precisa.”

 Nos escritos de Jung sobre sua vida, pode-se observar, mesmo pelo leitor não acostumado aos temas espíritas, uma variedade muito grande de fenômenos paranormais com os quais ele teve de conviver. Pode-se dizer, sem nenhuma margem de erro que Jung era médium e dos mais produtivos e que, às vezes, sabia quando ia se dar um fenômeno. Sua faculdade vai da vidência aos efeitos físicos. Sua principal característica era ser médium intuitivo. Mas, deixemos de lado a mediunidade de Jung, que comporta um outro livro, e passemos a análise do tema reencarnação em sua obra.

A possibilidade das memórias de vidas passadas fazerem parte do conteúdo inconsciente arquetípico do sujeito é bastante coerente. Jung, dizia que o inconsciente se divide em: inconsciente pessoal e inconsciente suprapessoal ou coletivo. O inconsciente pessoal contém as experiências individuais. O inconsciente coletivo é totalmente universal e é o receptáculo de conteúdos não elaborados, com imagens universais existentes desde os tempos mais remotos. Imagens primordiais, virtuais, que preenchem o imaginário humano. Essas imagens humanas universais e originárias, Jung denominou de arquétipos. Para Jung a capacidade de ter essas imagens é herdada.

Postula ele, em seu livro “Estudos sobre Psicologia Analítica”, Obras Completas, Editora Vozes, 2ª Edição, 1981, Petrópolis, RJ, a existência do inconsciente coletivo onde se situam as imagens primordiais, universais e originárias (arquétipos). Diz ele que o inconsciente coletivo é a parte objetiva do psiquismo e o inconsciente pessoal, a parte subjetiva. Quando perguntado de onde provinham esses arquétipos ou imagens primordiais dizia que “supõe que sejam sedimentos de experiências constantemente revividas pela humanidade”. Ele complementa afirmando que “O arquétipo é uma espécie de aptidão para reproduzir constantemente as mesmas idéias míticas; se não as mesmas pelo menos parecidas. Parece, portanto, que aquilo que se impregna no inconsciente é exclusivamente a idéia da fantasia subjetiva provocada pelo processo físico. Logo é possível que os arquétipos sejam impressões gravadas pela repetição[2]de reações subjetivas.”

O arquétipo seria uma espécie de elemento básico do inconsciente coletivo, assim como o átomo é o princípio básico da matéria. Tal como o átomo, sua configuração se assemelha a uma probabilidade. Não se plasma o arquétipo como não se isola o átomo. Ambos são concepções teóricas para se tentar explicar o real. Embora ambos sejam entes abstratos, porém, tornam-se as realidades possíveis, um no campo da matéria e o outro no campo da mente.

Jung coloca que estas imaginações, ou imagens, não são hereditárias e que hereditária é a capacidade de ter tais imagens. Essas imagens humanas, universais, originam-se na camada mais profunda do inconsciente.

Particularmente, acredito que só é possível haver aquela repetição, pela vivência pessoal e não coletiva. Só há em mim a capacidade de gerar tais imagens se me submeti, em alguma época, à experiências. Mesmo que se acredite na possibilidade da aprendizagem pela ressonância mórfica, fica a necessidade de se entender os mecanismos de transmissão de informações de um indivíduo a outro. Ou, talvez, para espécies sub-humanas, não haja dois indivíduos mas, um único, embora separados em corpos distintos (almas-grupo).

Deve-se fazer a ressalva quanto a procedência desse conteúdo do inconsciente coletivo. Para Jung tais conteúdos são experiências dos antepassados do ser humano, herdadas por processos filogenéticos. Tal hipótese, não confirmada, não explica as aptidões não herdadas. Fica a lacuna sobre não só como se dá a passagem das memórias via cromossomos, mas também como se pode transmitir, pelas mesmas vias, características inexistentes nos antepassados. Parece-nos que os conteúdos arquetípicos são as próprias experiências individuais, nas sucessivas vivências, nos diversos reinos da natureza, arquivadas no perispírito. Se assim não fosse, seria como acreditar que os conteúdos transmitidos pela herança filogenética, isto é, o inconsciente, é um grande deus criador, o qual regurgita o que não experimentou.

Não se trata aqui de combater a teoria do grande psicologista suíço, mas dar-lhe uma outra visão a partir do entendimento da reencarnação. O inconsciente coletivo de Jung corresponde aos conteúdos acumulados das sucessivas vivências do indivíduo. É arquetípico, possui imagens universais e está carregado de símbolos também universais, porque as vivências dos seres humanos possuem características similares em todas as partes do globo. São comuns (universais) as experiências de: nascer, morrer, viver em família, estabelecer cultos a divindades, manter relações sexuais, temer a morte, lutar pela sobrevivência, criar mitos diversos, escolher entre o bem e o mal, fazer juízos de valores, etc.

A análise desse aspecto comparativo requer um espaço maior. Adiante voltarei a questão no capítulo referente a Psicologia.

 


[1]A essa época, 1959, não havia sido publicado os trabalhos científicos de Ian Stevenson, que era chefe do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Virgínia, EEUU, sobre reencarnação, fato que se deu no ano seguinte, o que certamente alteraria as convicções, ou o que Jung escreveu, sobre reencarnação.

[2]Grifo do autor.

  

Fonte: Adenáuer Novaes
Comentários
Seja o primeiro a comentar essa notícia.
Escreva seu comentário
Nome:
Email:
Comentário:
Código de verificação
Outras notícias
18-05-2018 - Forró Harmonia
@larharmonia VEstamos em busca de um(a) estudante de Publicidade, RP, Jornalismo, Marketing ou áreas afins para aprender e nos a… https://t.co/CT7n7k71Ab
Enviado em: 27/02/2018 | 20:20:10
@larharmonia Estamos buscando voluntários para trabalhar no Lar dos Idosos. Entrar em contato com suzameri@larharmonia.org.br ou… https://t.co/oXvIBboldo
Enviado em: 07/09/2017 | 22:00:14
Rua Deputado Paulo Jackson, Nº 560 - Piatã - Salvador-BA - Cep: 41650-020
Tel.: 71 3286-7796 - Email: atendimento@larharmonia.org.br
2012 - 2019. Lar Harmonia. Todos os direitos reservados.
Produzido por: Click Interativo - Agência Digital